quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Conclusão.





Há um pouco de ânsia,
um pouco de expectativa,
uma dose generosa de vontade
e um jeito sincero de não saber lidar com a sorte.
Mas é assim que a vida empurra pra frente, esclarece uma dúvida de cada vez e faz amadurecer o que é pra ser verdade e o que é pra ser ilusão no nosso caminho.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Assim.




Desfazendo o avesso para retomar o começo de uma ideia que nasceu para ter o nome de realidade.

Sonho.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Nãos Verbais.






















Não chegue,
Não fale,
Não pinte,
Não desafie,
Não jogue,
Não pergunte,
Não provoque,
Não insinue,
Não dificulte,
Não beije,
Não brinque,
Não suponha,
Não duvide,
Não fraqueje,
Não deixe,
Não entre,
Não confunda,
Não transborde,
Não segure,
Não ouse,
Não queira,
Não silencie,
Não bagunce,
Não volte,
Não durma,
Não guarde,
Não lute,
Não ouça,
Não toque,
Não justifique.

Mentira!

Só não tenha medo da tempestade.

sábado, 17 de dezembro de 2011

De Malas Prontas.





Fez as malas. Depois de protagonizar a possível tentativa-salvadora-de-frustrações em ser uma garota-mulher, séria e cheia de defesas, não se resistiu. Caiu na tentação involuntária de ser ela mesma para estar um pouco inteira em tudo o que poderia lhe trazer o mínimo de felicidade sincera. Precisava ser plena em cada gesto. Precisava não temer o próximo passo. E foi. Saiu desenrolando caraminholas furtivas, entregando pequenos segredos inusitados, tirando as roupas da alma em sorrisos descompassados, brincando de querer com toda a beleza da honestidade corajosa. Sentia-se livre para cantarolar vontades inéditas, pesadelos oportunos, suspeitas ensaiadas. Foi bonito até o medo vir na contramão. E veio. Um medo que não era dela, mas tinha seu nome; o medo silencioso de um personagem que hesitava em ir além.
De repente, o céu do quarto ficou nublado, atrapalhando toda e qualquer perspectiva de estrela. Resolveu insistir. Pintou as unhas de Tentativa Sem Ideia e encarou a espontaneidade blindada com a vontade de sentir acontecer cada sorriso que imaginou. Não deu certo. Era impossível abraçar sozinha o querer que poderia ser de dois. A partir dali, caiu de pára-quedas em mais um degrau do amadurecimento. Transformou ansiedade e frustração em palavras e aprendizado. Arrumou o peito cuidadosamente, vestiu-se toda de pedra para não mostrar a flor de dentro e foi costurando paetês no sorriso.
Mas ainda havia qualquer vestígio que a fez soletrar mentalmente cada recordação para tentar descobrir o que faltou na ordem dos gestos para deixá-los sem sentido. Desistiu. Deixou suas marcas e recebeu impressões. Sorriu pelas ideias tolas as quais isso lhe remetia. E guardou-as. Resolveu eternizá-las nas melhores pinturas imaginárias e seguir. Viu no tempo uma criança que sai correndo serelepe, descobrindo o alvoroço do próximo passo e precisava acompanhá-lo. Então, fez daquele sentimento um trampolim para o dia seguinte, maquiou vestígios, soltou o cabelo, olhou uma última vez para trás e pôs os pés pra fora daquela crônica. E apesar do esforço, de malas prontas, o que mais pesava era o coração.



(Breve história sobre Manuela, uma figura inventada.)

sábado, 26 de novembro de 2011

Não É Nada.




- Ontem cantei loucamente no Acervo as músicas do Lobão. Tô ouvindo aqui...

- Imagino, ó!

- Não imagina mesmo.

- Tá. Imagino não.

- Vália. ¬¬

- Ora... Eu disse que imaginava e tu disse que não.

- Tu desiste muito fácil. Nã!

- Quem disse que eu desisti de você?

- (risos) Eu me referia a desistir de argumentar.

- Ah...

Continuei rindo.

A gente inespera porque é mais fácil e desacredita por conveniência. Mas a possibilidade encara a falta de fé como um desafio.

E digo que não é nada, pois, é só para o que estou pronta.

domingo, 20 de novembro de 2011

Realidade.



Daqueles horas em que a indagação confessa a própria resposta antes que o destino seja firme.


- Tem doce?

- Doce ilusão.


(É mais corajoso enfeitar de realidade a própria ideia do que já foi.)

domingo, 23 de outubro de 2011

Quando Eu Peço.

Senhor, dai-me juízo e tira-me o mesmo quando necessário.

Faça com que as minhas ações não percam a espontaneidade do desejo sincero,
Que eu pense menos quando sentir que é o melhor,
Que eu pense mais quando não sentir nada,
Que, às vezes, eu não pense de jeito nenhum porque viver está longe de ser um plano.

Faça com que aproveite a liberdade que me dou, pois é a única da qual tenho consciência e um pouco de controle.
Que eu tenha paciência com a falta de perguntas,
Que eu saiba harmonizar o excesso de respostas,
Que eu tenha sabedoria para interpretar o silêncio.

Guie meus passos pelo jardim da sorte e, quando faltar luz, que eu possa ouvir com resignação sobre o caminho a percorrer.
Que as pequenas felicidades cotidianas me ensinem a valorizar cada vez mais aquilo que faz da simplicidade a maior alegria da vida,
Que minhas dúvidas sejam o impulso para o autoconhecimento e para o total desconhecimento, pois, ser mistério em si é o motor propulsor do que há de surpreendente na personalidade,
Que o agir não ensaiado traduza um pouco da garota que sonha antes de dormir e que não troca o banho de chuva por um telhado.

Abençoe minhas boas ideias para que suas asas virem grandes realidades. E, por favor, faça isso pelas impossíveis também, impedindo que os sonhos se percam.
Que meus desejos sejam o reflexo do amor que alimento pelo ato sublime de existir,
Que minha fé acredite sempre na possibilidade de me tornar uma pessoa melhor,
Que todas as escolhas venham acompanhadas de aprendizado e humildade.

Senhor, que Tua presença na minha vida de quem sonha seja sempre percebida.
Que eu não deixe de confidenciar meus segredos ao mar, nem de refletir com as estrelas,
Que eu continue escrevendo antes no coração para que as mãos percebam que a imaginação é a única capaz de me levar além,
Que eu me apaixone diariamente por cada beleza sincera que identificar,

Que eu viva inteira e sinceramente aquilo que o Senhor caligrafou dentro de mim.

Amém!

domingo, 25 de setembro de 2011

As Três Dizem.




Fui dormir quase 5 da manhã, acordei às 10hs e cá estou tentando vomitar sem conseguir. Nada físico. É uma briga pessoal entre a vontade e a necessidade de escrever. Há quase duas semanas certos assuntos afloram durante a madrugada. Sempre durante a madrugada. Algumas frases soltas no caderno, noites interrompidas e um silêncio gritante incomodando as mãos. Tinha que parar de falar para começar a dizer. Percebi então, que é inútil forçar o corpo e a mente a expressarem quando ainda não estão dispostos a isso. Comecei a ficar impaciente e continuo. Parece que o olhar, os gestos, a distração, o cheiro, tudo isso resolveu expressar esse entalo de ideias, menos as palavras. Decidi que para desgastar toda a energia e o pensamento fixo na quase obrigação de me traduzir, leria mais, varreria mais a casa, ficaria mais tempo com os amigos, ouviria mais músicas e, também, aprenderia a cozinhar. Sim. Iniciei o processo de dissipação do que não era a linguagem escolhida para dar gradativamente espaço ao que seria a Menina conversando com a Mulher sem segredos, medos e palpites. Enquanto Eu mesma precisava organizar a situação, o encontro. Nua por três vezes, vestida de brisa, raio e tempestade respectivamente. Perdi as contas dos textos iniciados e que estão até agora sem conclusão alguma. Como posso ficar muda para mim mesma? Experimentar a própria indiferença é um autoflagelo não escolhido. Muitas vezes conversamos com nosso próprio pensamento. Mas e quando ele não te dá bola? Quando ele não te responde e fica ali, observando inerte a sua loucura de querer se dividir para o fardo pesar menos? E quando o pensamento prefere usar o braile das manifestações corporais ao invés de um papo silencioso e mais discreto com o espelho? Do lado de dentro, textos reprimidos. Daqueles que chegam às pontas dos dedos e hesitam, daqueles com palavras que não deixam as ideias falarem. A voz da vontade vai e vem até as veias, mas não ultrapassa a derme. Escrever agora seria o fim prematuro de mais um degrau para a Menina mulherar. Por isso, fui me acumulando... E ficamos ali, olhando umas para as outras, mudas. A Menina dançando na ausência da música, a Mulher prudente que não sentia o chão e Eu sentada em nuvens de travesseiros. Por tantos momentos empunhei a caneta e abri o caderno imaginando ser a hora certa de... Não era. De repente, uma interrogação definiu o silencio dos pensamentos. Senti as pontas dos dedos perfumadas pelo cheiro doce da pipoca, confesso que foram instantes floridos de paz. Mentira. Precisava urgentemente de uma fuga certa, não aquela ilusória. Tinha que ser um esconderijo para o contorcionismo das ideias. Escrever seria o processo natural, diz a Mulher. E continua... Escrever é mais que um desabafo. É um exercício de libertação do desquerer sentir (ou não) compartilhado. Quando escrevo boa parte das emoções despencam ali, no papel. E não é fácil. Será que ela não enxerga que esta não é uma solução viável para o momento? Juro que tentei. Deus sabe quantas frases soltas deixei pelos esboços espalhados no quarto-castelo. Fiquei decepcionada pela obviedade daquela resposta, mas não ousaria conversar com a Menina. Inútil. Eu te conheço como a palma do meu desejo, diz a serelepe criatura. Se quiser, não pense. Ou então, deixe pra lá. Fica na ponta do pé uma vez criancinha... Veja o mundo por outra janela! Uma garota me tratando daquele jeito? Fiquei intimidada. E agora? Vi a página de um branco saudável e comecei a relatar esta discussão. Saímos felizes de alguma forma sabendo que, embora haja muitos ensaios para expressar qualquer pensamento com fidelidade, a mensagem original é sempre a do rascunho. E que, o acaso é o tempo sem relógio e com perda de memória. Foi justo ele que nos trouxe até aqui. Sem marcar hora e dia, viemos despidas mostrar o modo de uma completar a outra até quando não precisamos, nem conseguimos dizer entre si.

domingo, 18 de setembro de 2011

Borboletas Disfarçadas.


Oito e tanto da noite, em alguma parada da Avenida Santos Dumont, um senhor de seus quase 80 anos entra no ônibus e senta ao meu lado.

- Deve ser difícil lavar a louça com essas unhas...

- Não é não. Lavo todos os dias.

- É a empresa que pede?

- Não. Eu mesma que gosto assim.

- É muito bonito. Deixa a mulher elegante...

- Obrigada.

- A senhora é casada?

- Não. Solteira.

- Então é senhorita. (risos)

- Ainda tenho muita coisa a fazer antes de casar... Estudar, viajar e trabalhar muito.

- Você está certa. Quando eu casei, tinha acabado de abrir meu comércio e consegui criar meus filhos. O mais novo faz Odontologia...

- Poxa, que legal. Parabéns. Deve ser uma satisfação para o senhor.

- É sim. Alegria da minha vida. É um rapaz muito gentil.

- Gentileza é uma coisa em falta nos dias de hoje. Então, o senhor educou bem seu filho.

O ônibus chega ao terminal e demora tempo suficiente para as últimas sílabas de uma conversa que terminou com uma despedida apressada. Fui então, presenteada com as seguintes palavras:

- Sorte na vida mocinha. Você é doce e merece o mesmo dela. Deus te proteja. Boa Noite.

Respondi com um Obrigada sorridente e um boa noite ligeiro, pois cada um tinha a pressa de seguir seu destino. Ao chegar em casa, transcrevi esta conversa. Passei dias pensando sobre a magia desse encontro. Como não acreditar que coisas extraordinárias possam acontecer? Deus nos presenteia com isso todos os dias e quase nunca damos valor. Essas são as bobagens significativas que tornam meus dias felizes e motivam o tal do Carpe Diem. A Felicidade nos é dada a prestação, diluída em gestos suaves, paisagens imaginadas, sorrisos inesperados, palavras adocicadas pela sinceridade do impulso, na capacidade de ouvir bobagens por horas, na beleza da respiração ofegante, no colorido papel de bombom, na turbulência da insônia, nas notas inseguras do violão e até no medo de ser feliz, de tentar ser feliz. A Felicidade assusta, mas é tão melhor enfrentá-la. Desconstruí-la em pequenas alegrias é o segredo de fazê-la sempre companheira. Então, aos poucos vou montando meu castelo de pequenos prazeres, borboletas disfarçadas da satisfação diária de viver.

domingo, 4 de setembro de 2011

Uma Simples Pergunta.




Perguntaram-me esses dias como anda a minha vida amorosa. Demorei a responder por não ter realmente o que dizer. Imediatamente pensei em “Não anda!, Que vida amorosa?” Até porque havia tanto tempo que palavras como “amor, relacionamento, ficar, paquera...” não circundavam meus pensamentos que, para encher o espaço da resposta que a pergunta merecia, eu fiz outra pergunta e logo em seguida, respondi: “Se eu tô apaixonada? Não.” O motivo da inércia? Boa pergunta. Talvez eu não queira mesmo, ou simplesmente não tenha acontecido. Talvez tenha acostumado a ficar só, o que não significa solidão.

A gente vai passando pelo cotidiano e não percebe se certas coisas nos fazem falta ou se realmente deixaram de ter determinada importância. Comecei então a me questionar sobre as últimas vivências dentro deste campo (que nem foram tantas) e sobre o que isso significa. Um relacionamento amoroso talvez seja duas pessoas diferentes tendo paciência para se descobrirem ou duas pessoas semelhantes juntas para descobrirem algo diferente. Fato é que mesmo com a possibilidade do encontro desses seres, fazer os laços acontecerem e permanecerem, não é fácil. Há um exercício de paciência embutido. É como se a outra pessoa fosse o mapa e o tesouro, e você o desbravador, aquele que aos poucos desvenda a imensidão do que o outro é e pode vir a ser. E tudo isso vice-versa.

Alguns têm disposição para encarar o processo da conquista, praticar o ensaiado ritual platônico, um ritmo que pede aquele flerte não disfarçado, mas já esperado. Já outros levam tudo isso num desinteresse, num Let it be, como se não importasse. Mas na verdade é uma despretensão fingida que esconde expectativas, dúvidas, pequenas loucuras da ansiedade. As teorias sobre relacionamento são sempre mais exatas e obstinadas que a prática. No final das contas ninguém está sobre o controle das emoções. O que podemos fazer, no máximo, é permitir que elas cresçam ou não, aproximem-se mais rápido ou não. Tudo isso em nome da rotina do estar junto nem que seja por um dia ou por cinquenta anos.

Foi preciso uma pergunta simples e corriqueira para perceber que mesmo sem querer, por comodidade, por falta de traquejo ou por ‘esquecimento’, trechos do instante seguinte das nossas vidas vão se perdendo por que desaprendemos a enxergar outras pessoas, coisas e sentimentos. Não perdi a minha sensibilidade para o que me cerca, apenas esqueci que ela faz toda a diferença na vida. É hora de reaprender a sentir sem depender de planos, em meio a tantos sentidos sem nenhum sentido, num passo de cada vez (para nada ou para qualquer coisa), por que apesar de muros e convicções, há o amor e toda a breguice que ele nos permite sustentar.