quinta-feira, 30 de junho de 2016

Aflora, moça!

Tu tem é que falar, moça.
Falar de quem ama, daquilo que gosta, de besteira, da vida... Falar sobre a delícia de um banho de chuva enquanto relembra o sabor daquele sorvete. Cê fala pelos olhos, pelos poros, pelos gestos... mas também precisa falar pelos cotovelos. É que o mundo, às vezes, só enxerga profundidade quando ela se veste do óbvio. Tua voz é mansa, mas faz bartulho. É suave, mas tem firmeza. Lembra: palavra dita com sentimento sai mais bonita que floreio de cinema. É que o amor se dilui na sinceridade que transborda.
Aflora, moça!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

É pra você que eu digo sim




Todo gesto teu
É quase certo
Fica rastro meu
Na tua mão

Todo olhar meu
É bem sincero
Quer desejo teu
No meu violão

Finjo que não ligo
Mas penso em te beijar
Conversar com teu sorriso
Dormir à sombra do teu
Leve, tão leve, suspirar...

É pra você que eu digo sim
Quando não penso em dizer nada
É pra você que eu olho assim
Quando fujo na madrugada




17/3/2016.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

não sou atriz



manter a distância sem poder sair de perto
manter a serenidade no emaranhado dos fatos
manter o ritmo sem perder a compostura
não funciona por muito tempo.
não nasci pra ser atriz.

todo sentimento, ideia, vontade, tem a época certa de sair para o mundo.
não tem cara, nem distância, nem silêncio que evite. nem sempre a paz constante ajuda.
às vezes, a bagunça vem pra reorganizar o que já é, o que está sendo e o que está por vir.
o importante é não deixar de sentir-se. o ser também é explosão.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

pensando aleatoriamente numa noite qualquer



a persistência ensina também a perceber a hora de parar, de tirar o pé do acelerador, a hora de mudar a direção, quem sabe. a gente briga diariamente para as coisas acontecerem, pro papel virar realidade, e é cada pequena luta que nos mostra, sobretudo, quem simplesmente nos acompanha e quem está ao nosso lado.

entre tantas dúvidas, perspectivas, sonhos e mais dúvidas, você não sabe o que fazer com os múltiplos caminhos. ainda mais quando cada um deles representa deixar uma parte bonita daquilo que você sempre acreditou e batalhou. mas a vida nos ensina a ampliar os pontos de vista.

quem sabe, deixar/libertar-se/desprender-se seja a forma mais dolorosa e bonita de exercitar a maturidade, a decisão, o próximo passo. quem sabe usar (de verdade) a própria liberdade não seja o abraço de apoio tão necessário. não é abandono, não é negligência... é a força que põe os pés fincados em outro chão, em outra ideia, em outra vertente de desejos porque você foi forçado a isso.

eu queria um café, uma mão pra apertar e um passo pra ir ao meu lado. do jeito mais visível ou mais discreto, dividindo e realizando sonhos, mas sempre lutando pelo que acredito, pelo modo de enxergar o mundo com mais sensibilidade, com a certeza de que o impossível vira só mais uma palavra no dicionário quando a gente não cansa.

sábado, 6 de junho de 2015

Que Seja




Você vai em busca,
se entrega,
se permite,
sente
E abraça a (falta) de lógica de tudo que pode vir.

Sem saber o que fazer, sem saber pra onde ir, você simplesmente deixa o querer viver porque tem querer que nem a distração resolve. Ele não vai, ele não fica, ele te acompanha feito pássaro que sobrevoa pensamentos e grita dentro do coração. Que o nosso convívio seja pacífico. Meu peito não se defende mais dessa guerra.

terça-feira, 31 de março de 2015

Causo Amoroso



baixei a guarda e abri a porta da sala
te deixei entrar nos meus dias
te dei morada nas minhas poesias
te dei espaço pra você gostar de mim.

cê encontrou um céu nublado
um jardim ainda não florescido
um vento meio gelado
um mar enfurecido
duvidou de tudo aquilo
e permitiu-se arriscar.

e então, cê deixou um sorriso
me ofereceu abrigo na tua vontade
acolheu todo o meu perigo
me enfrentou sem alarde
e sentiu um coração que arde
mesmo abandonado
sem o peso do significado

cê quis morar ali
cê já viu que morava ali
apertado, reprimido, esmagado nas defesas
cê viu que tinha um lugar seu ali
e me abraçou

me abraçou por dentro
sentiu o tamanho do tormento
daquela paixão renegada
e riu como se não fosse nada
-deixa de ser boba, garota
tu tem que se divertir!
e fui.

cê não acompanhou o ritmo
e no meio do caminho mudou de ideia
caiu no mito da proteção
e me deixou sozinha na plateia
quando, pra mim, já era tarde demais.

terça-feira, 10 de março de 2015

Viver: esse clichê repleto de significados


-Qual o seu sonho?
-Continuar vivendo.

Foi a pergunta mais clichê, com uma resposta não menos clichê, que ouvimos por aí aos montes, diariamente. Viver é um daqueles desejos banalizados, que a gente fala na contagem regressiva para o ano novo, que a gente agradece quando completa mais um ano de vida. Viver é aquela palavra que fica bonita na música, no poema, no conselho, na filosofia de bar.,. Até que você sente o peso das palavras quando simplesmente dedica um pouco de atenção ao significado que elas podem representar.De repente, tudo para e você fica absorto por sentir-se tão patético e ao mesmo tempo tão agradecido por perceber o valor da vida. Ou pelo menos cair numa realidade que vai muito além de qualquer problema que considerava importante, aquela urgência que embarreirava todos os seus planos virou uma idiotice. Você parou bem naquele momento - pelas circunstâncias do destino, pela distração da mente ou sei lá - e sentiu que tudo era muito mais do que se imaginava. Descobriu que a vida é este presente diário e que deve ser aproveitado mesmo, com todo o gosto, fazendo jus ao carpe diem ensinado nos filmes românticos. É essa poesia que precisamos enxergar sempre. Principalmente quando ela se esconde nas dificuldades, no trabalho, no egoísmo, na falta de gentileza, na falta de sensibilidade para com o outro. Você tem dó das crianças que vivem na rua, mas já parou pra ajudar alguma delas? Você não joga lixo no chão por respeito à natureza, mas já parou 5 minutos hoje para admirá-la entre os prédios? Você ama sua família e seus amigos, mas quantas vezes fez um telefonema para algum deles, no meio de tanta correria? A gente tem pressa pra viver a nossa vida, mas esquecemos que ela - até quando é solidão - tem alguém por perto, dando mais sentido e cor ao nosso cotidiano. Tenho aprendido que sei quase nada, que posso fazer muito além para ser melhor, ser feliz e, principalmente, fazer outras pessoas felizes. Não seria isso aproveitar a vida? Nada! Isso é só o começo. Viver é crescer para dentro, de um tamanho que não cabe no seu dizer, só no coração. É transbordar. Vai! Pensa menos e aproveita mais! Significa mais e ignora menos! Sonha mais e foge menos! Não espera um sinal da vida para valorizar a simplicidade do cotidiano e tirar alguma lição disso. Num mundo em que boa parte da sociedade aprecia as superficialidades e negligencia as profundidades, presenciei este diálogo. Ela tirou um seio, mas o sorriso continua inteiro e VIVO!

domingo, 8 de março de 2015

Desquerimento.




Querer dá trabalho, mas desquerer é mais doloroso. Desquerer é a vontade de mandar embora a (quase) paixão, o (quase) envolvimento que você não assume pra si, mas todo mundo percebe. O processo inverso do amor vai coisificando o que há de sentimentalmente profundo. Desquerer é reconhecer que a sua tentativa foi falha, de novo, que alguma coisa na receita desandou.
Desquerer é fazer o caminho de volta. Aquele que você evitou, aquele que você relutou e tentou desviar, mas inevitavelmente caiu.
Desquerer dói porque é um atestado de vacilo desenhado no cotidiano, no pensamento, em todas as expectativas que vão morrendo a cada porquê desenfreado, nas suas lembranças.
Mas, acima de tudo, desquerer machuca porque te faz lembrar o quanto cansa recomeçar, o quanto cansa aceitar que é preciso recomeçar, o quanto você sente que as suas forças acabaram e que não sabe se valerá a pena tudo de novo.
Nessa hora, a esperança para reciclar os mesmos argumentos que dão espaço a um novo amor, adormece profundamente. 
Desquerer é cansativo. Dá trabalho ir matando o que nasceu sem sua vontade e cresceu sem controle. Mas é desquerendo que, mais uma vez, a gente aprende o que já sabe. Não é a primeira vez que você precisa deixar um sentimento de lado, lembra? (Ou é?) Precisamos parar um pouco, de vez em quando, pra ver se volta a crença nas futuras tentativas infundadas. Pra ver se crescemos mais resistentes (?), pra ver se a gente consegue juntar disposição de lançar-se no abismo inconstante do querer e começar tudo de novo.  Afinal, todo cuidado é muito para quem busca a sorte de sentir além. 


P.S.: (Amor é uma palavra que ainda soa estranho)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Acolares.



Eu fico pensando que não quero mais pensar. 
Mas aí eu penso de novo e fico redundante em mim mesma,
perdida nos acolares.

Deveria me (re)encontrar?

domingo, 16 de novembro de 2014

No. 0 - Dos Encontros (com delay)



Pode colocar sua barba de molho no meu rosto. Fica dançando tuas ideias em mim enquanto acho graça do agrado. Parece que somos dois trópicos, fugindo um do outro e querendo estar perto. A gente briga pra não se querer, briga pra se adorar e se toca timidamente só pra não correr o risco de ir além. 
Devagar, teu cuidado em me desejar contorna profundidades que vestem as delicadezas do nosso cotidiano. Gosto do carinho inusitado, do olhar investigativo, da curiosidade fantasiada de desinteresse e até das horas que perdemos nos evitando. Gosto de pular em cima do teu ego inflado, aflito com minha implicância. Gosto dos teus elogios escancarados, dos contidos e até dos silenciosos, aqueles que me devoram com os olhos, me apertam contra a parede e me tocam lentamente pra dizer que sou eu que não mando nessa história. 
Deixa, mais uma vez, aquele beijo demorado entre meus olhos que eu vou suspirar, querendo nunca mais sair dali. Não para de cheirar meu cabelo enquanto me abraça, nem de encostar a cabeça nesse ombro como se ele tivesse sido feito pro teu afago. Fala mais, fala pra mim, me ouve e me descobre na fragilidade, na fortaleza, em todos os meus eus que adoram (até quando detestam) você. 
Chega perto, fica, perde o medo, não pensa, encosta a mão na minha e deixa acontecer isso que mora entre o meu olhar e o seu. Deixa o nós ser e se descobrir, que o afeto é certo, a chama nos chama, a tempestade existe e cada gesto é um ensaio da vontade de se pertencer. É nesse sentir, na leveza da tolice, naquelas horas em que o riso é o meio da mensagem, que nos encontramos.